Ao longo desta jornada vimos o poder esmagador da salvação: a mente sendo renovada, a rota sendo corrigida, a identidade sendo restaurada. Mas se a história terminasse aqui, correríamos o risco de cometer um dos maiores erros do cristianismo moderno: o isolamento espiritual.
Para entendermos o destino final daquele que foi salvo, precisamos retornar à beira do Mar da Galileia, à história do endemoninhado de Gadara, espetacularmente liberto por Jesus. Após ser curado, encontrado assentado, vestido e em perfeito juízo, ele toma uma atitude compreensível: “rogava-lhe o que andara endemoninhado que o deixasse estar com ele” (Marcos 5:18).
Pense no cenário: aquele homem havia passado anos isolado nos sepulcros, rejeitado pela sociedade, atormentado por dores indescritíveis e visto como a escória de Gadara. Agora, liberto e com a mente restaurada pela paz de Cristo, ele só queria uma coisa: entrar no barco e ir embora com Jesus para sempre, seguro dentro de uma “bolha” de milagres.
A recusa que envia
“Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.” — Marcos 5:19
Jesus nega o pedido dele. Mas essa negativa não é castigo: é uma recomissão. Muitas vezes, ao experimentarmos a salvação, a nossa vontade é nos fechar dentro das quatro paredes da igreja, convivendo apenas com quem pensa como nós, fugindo das pessoas difíceis e nos escondendo do mundo real no “barco” do conforto religioso.
Mas Jesus nos diz o mesmo que disse àquele homem: o teu lugar agora não é escondido comigo no barco; o teu lugar é bem no meio da tua casa, da tua cidade, do teu ambiente de trabalho, onde todos te conheciam quando você ainda estava quebrado.
A característica de um salvo não é a fuga do mundo, mas a infiltração nele. O salvo é reintroduzido na sociedade não mais como escravo do sistema, mas como um farol de luz que aponta diretamente para o autor da vida.