É fácil cair na perigosa ilusão de que a vida cristã é uma estrada asfaltada, livre de buracos, tristezas ou fracassos. A salvação não blinda o ser humano contra as dores do mundo nem o torna instantaneamente infalível. O que ela muda é a forma como o salvo reage a essas pressões.
A pressão esmagadora (Thlipsis)
“No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16:33). Thlipsis era uma palavra do vocabulário agrícola: a pedra pesada colocada sobre as azeitonas no lagar para esmagá-las. Era essa pressão extrema que permitia a extração do azeite puro.
Quando o sistema sem Deus é esmagado pela dor, ele produz amargura e cinismo. Quando o salvo passa pela thlipsis, o que se revela não é a ausência de lágrimas, mas a produção do “azeite”: resiliência, maturidade e dependência total de Deus.
E quando o salvo tropeça?
“Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” — 1 João 2:1
A característica do salvo não é a impecabilidade, mas a sua nova relação com o pecado. Antes, o pecado era o ambiente natural; depois da salvação, ele se torna um invasor indesejado. Quando o salvo cai, ele não sente alegria na lama: sente o desconforto angustiante do Espírito Santo confrontando o seu erro.
O perdão restaurador
A graça não é licença para pecar, mas o braço forte que levanta quem fracassou. A prova de que alguém é salvo não é que ele nunca cai, mas que, quando cai, a sua única reação é correr de volta para a luz, recusando-se a fazer das trevas a sua morada.