Para compreendermos a profundidade esmagadora da salvação, precisamos olhar para o extremo oposto: o retrato gráfico de uma vida destruída pela ausência de Deus. O Evangelho de Marcos nos oferece essa imagem em Marcos 5:1-20.
O cenário de isolamento e impureza
Gadara fazia parte da Decápole, território gentio e “impuro” para um judeu — a manada de porcos ali perto comprova a cultura paganizada. E é nesse cenário que encontramos o homem que “habitava nos sepulcros”. Os túmulos (mnemeion) eram cavernas escavadas na rocha fora dos limites da cidade. O pecado tem a mesma função do sepulcro: ele isola, corta laços, aprisiona na escuridão e transforma a pessoa em um morto-vivo perante a sociedade.
A fragmentação da identidade
Tentavam contê-lo com grilhões e cadeias, métodos puramente repressivos, mas ele quebrava tudo. A consequência da escravidão invisível era a automutilação: “ferindo-se com pedras” (Marcos 5:5). Onde o pecado reina, a autodestruição é inevitável.
“Legião é o meu nome, porque somos muitos” (Marcos 5:9). Uma legião era a unidade militar romana com até 6.000 soldados. Ao se autodenominar Legião, fica claro que a sua identidade havia sido colonizada e estilhaçada pelo mal. Ele não sabia mais quem era.
A grande reviravolta
“E viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, e em perfeito juízo.” — Marcos 5:15
A vergonha da nudez espiritual é coberta (vestido), a inquietação destrutiva encontra paz (assentado aos pés do Mestre) e a mente fragmentada é restaurada (em perfeito juízo). A salvação é o poder capaz de tirar um homem do pior dos sepulcros e devolvê-lo à humanidade.